PRIMEIRAS PALAVRAS Atuo como professor de Letras Clássicas e Vernáculas, Ciências da Linguagem & Ciências da Literatura, sou Mestre em Letras pela UFF-Universidade Federal Fluminense, Especialista em Língua Portuguesa pela UFF-Universidade Federal Fluminense. Encontro-me desenvolvendo um projeto de Doutoramento tendo como suporte teórico a Lingüística Funcional norte-americana. Envergo ainda a honra de ter sido premiado pela Academia Brasileira de Letras por três vezes e atuar como professor substituto da UERJ-Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Desde 1995, venho exercendo a função de consultor para pesquisa e desenvolvimento científico e revisor de trabalhos acadêmicos. Encontro-me, ainda, na condição de professor regente do Município do Rio de Janeiro, cedido pela 10ª Coordenadoria Regional de Educação para a 4ª CRE, lecionando na Escola Municipal Bernardo de Vasconcelos. Sou concursado pela Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro atuando como professor regente de Língua Portuguesa na Coordenadoria Metropolitana VII, lotado na Escola Estadual Bom Pastor em Belford Roxo. Além do que já fui aprovado nos mais diversos Concursos Públicos para o Magistério. Sou membro do Círculo Fluminense de Estudos Filológicos e Lingüísticos-CiFEFiL, Ex-Professor da Universidade Salgado de Oliveira-UNIVERSO, onde envergo o mérito de ter sido o Criador e Coordenador dos Programas de Pós-Graduação lato sensu em Lingüística Aplicada ao Ensino e em Literatura & Linguagem. Todas estas credenciais só me levaram a dois lugares: a academia, a que mui honrosamente venho servindo em minha militância científica, e, sobretudo, devo dizer que o outro lugar a que fui levado foi ao encontro de mim mesmo enquanto educador. Desta forma, após todos os meus reveses, as promessas não cumpridas, as ilusões destroçadas e após assistir-me plantando e sepultando os meus últimos sonhos de adolescente, o derradeiro ponto de chegada foi ter atingido a verdade e, com ela, o mais alto preço: a dor de ver a própria morte da utopia. Mesmo sabendo que o homem é do tamanho da sua capacidade de sonhar, não posso romper com o tecido da realidade. Assim sendo, este texto tem a ousadia de apresentar aquilo que muitos sabem, mas que, em nome da demagogia e da hipocrisia dogmática, acabam legando ao silêncio e cerceando a verdade na cortina do esquecimento.
De fato, o poder transforma a sociedade, mas não há poder maior do que a verdade e em nome dela cada um de nós tem um preço a ser pago, até porque ela, assim como o bem e o mal, não obstante, é uma questão de ponto de vista. Enxergá-la em todos os seus aspectos é uma arte, um dom, uma maldição! Eu estou pagando o mais alto preço, pois, hodiernamente, um pouco de mim vai morrendo e, não mais me vendo como tal, deixo-me ser levado pelo sabor da lembrança de quando eu era mais ingênuo a ponto de acreditar nas aulas de Didática ministradas na Universidade e nas Utopias concebidas pelos grandes mestres que tanto me embalaram a alma e acalentaram o meu sonho lindo! Hoje, tudo é diferente. Não consigo mais acreditar na fantasia de outrora e, por isso mesmo, parafraseando o que alguém já escreveu: Ah, a ignorância é doce!. Sim, ela é! Queria poder reencontrar a criança perdida e com ela rever o meu passado. Tudo era lindo: os pássaros voando em manhãs ensolaradas de verão, as estações bem definidas, as crianças indo para a escola e eu indo para a Universidade, ávido pelas aulas de didática, Filosofia da Educação, Pedagogia. Enfim, ansioso para cear o banquete da educação junto aos grandes mestres... Ah, como era era ignorante! Como eu era feliz!
Durante séculos, a educação neste país vem sendo marcada por “idéias mirabolantes”, onde figuram os mais diversos epítetos e as mais torrenciais das hipérboles. Muito foi dito e escrito, todavia não posso ser conivente com a mediocridade em torno “da Pedagogentice do ôba-ôba” que vem sendo cunhada por clichês do tipo: “faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço”, até porque seria como vender-me integralmente àquilo que chamo “projeto de imbecilização nacional”, haja vista que, há séculos, existem aqueles que vêm perpetuando um processo que visa a tornar os nossos filhos o mais medíocres e desgraçados possível, incutindo-lhes delírios de injustificada grandeza, sentimentos de culpa e tolhendo-lhes a capacidade de pensar de maneira crítica; não sabem eles que toda política educacional deve entender e respeitar acima de tudo o sagrado exercício da verdade! Sim, a verdade! A escola e a Universidade existem, por exemplo, para garantir a contínua marcha de um povo rumo ao progresso e não servir de aparelho que paralisa, oprime e explora, legitimando uma ordem cada vez mais injusta. Ensinar é, sobretudo, interagir no processo de leitura crítica da própria realidade; é ter um compromisso com a verdade e as necessidades do aluno, sem que para tal seja preciso constituir um palco no qual o professor tome para si o papel de um pretensioso protagonista, até porque na verdade não ele o é. Por outro lado, confesso até com um certo pesar, que estou farto de construções prontas e pretensiosamente “DOM QUIXOTESCAS” que se esforçam para sustentar a imagem de que o aluno é um “pobre coitado” que sofre e que sonha e o professor, um grande opressor! Ah, não há espaço para saídas “abracadabrescas” e tampouco não devemos abandonar as trincheiras dessa guerra, até porque se esta consciência viciosa não for mudada, que país estaremos deixando para os nossos filhos? Vejo, hoje, o Magistério “com outros olhos”. Não que eu tenha me tornado pessimista, mas a verdade é que não há mais espaço para teorias utópicas de teóricos celebrados quão fossem grandes heróis por uma nação desesperada à procura de líderes e mártires. Acredito que os nossos verdadeiros heróis estão entre aqueles que a tradição simplesmente ignora, pois não tendo a mídia acadêmica ou o poder econômico, qual é o sentido que haveria em venerar tais pessoas? Em verdade, dou fé quando escrevo que entre nossos verdadeiros heróis figuram aqueles professores que continuam a doar diariamente o seu sangue misturado ao sabor de suor e giz por entre intervalos intermitentes de goles de café.
É com um doloroso pesar que escrevo este texto que, certamente, mal interpretado por uns ou até por ferir os sentimentos de quem é escravo da utopia tal como eu fui um dia, poderá me trazer enormes aborrecimentos. Todavia, não recearei quanto a essas coisas, pois é necessário descerrar as cortinas desse palco de hipocrisias. O que devo dizer aos professores que estou formando? Deixem o Magistério! Salvem suas almas! Bem, dizer estas coisas não seria certo, até porque as pessoas precisam construir a sua identidade profissional a partir de todos os aspectos concernentes à verdade. Neste sentido, tanto a utopia quanto o desmascaramento da realidade são importantes. O futuro professor deverá escolher por si mesmo, porém pautado nas duas realidades e não no unilateralismo.
Confesso que na condição de professor Universitário, pesquisador, militante dos congressos da Academia e mesmo portando um razoável currículo, onde até premiações pela Academia Brasileira de Letras encontram-se registradas, não posso ser conivente com o silêncio e a “zona da acomodação”. Enquanto cientista, devo ser frio e descartar as hipóteses nulas. Enquanto cientista, devo buscar a veracidade dos fatos através de estratégias empírico-analíticas a partir da constituição de um corpus factual.
É exatamente neste momento que o cientista perde espaço para o ser humano, na instância de que a frustração, a incerteza e a sensação de fracasso começam a imperar, haja vista que a situação do professor no Brasil é por demais caótica; somos dia após dia amputados no espírito e profanados em nosso mais sagrado direito de termos assegurada a reedificação de nossa dignidade profissional. Sei, também, que é um modismo comparar o nosso sistema escolar com o de outros países, mas também sei que tudo isso não passa de pura propaganda dos demagogos; os mesmos que, há bem pouco tempo, estavam protagonizando todo tipo de campanha contra a Universidade particular neste país. Não nos custa lembrar da enxurrada de material televisivo e das mais diversas mídias, onde uma “quase fogueira de inquisição” estava sendo ateada contra todos os profissionais da rede privada do ensino superior. Todo esse “terrorismo acadêmico” tinha como único objetivo “desmoralizar” a universidade particular”. Não estou fazendo apologia a nada e tampouco tenho a pretensão de discutir o “esquerdismo de meia pataca” que cegou os olhos das pessoas por ocasião desse processo, todavia não custa reavivar a lembrança acerca da triste condição enfrentada, também, pela Universidade pública no Brasil, quando inúmeros programas de pesquisa deixam de existir face aos cortes de verba. Céus, onde iremos parar? De um lado, temos a campanha ainda latente de desmoralização da Universidade particular; do outro, o sucateamento da Universidade pública. Gloriosos eram os tempos em que o estudante dispunha de tempo e verba para o custeio de suas pesquisas científicas nos cursos de Mestrado e Doutorado, quando, de fato, havia a manutenção das condições necessárias para o fomento da pesquisa como mecanismo insubstituível no exercício constante do aperfeiçoamento profissional! Hoje, lamentavelmente, os cursos lato e stricto sensu, na maioria das vezes, acabam sendo “cursos profissionalizantes de luxo”.
Vivemos o advento do imediatismo da informação, o que justifica, em parte, a proliferação de mestres e doutores forjados por um mercado que busca não a qualidade, mas a quantidade. Desta forma, estamos assistindo a um número cada vez mais crescente de “pobres degredados” pseudocientistas proliferando no cenário acadêmico e muitos deles não sabem sequer a diferença entre “compartilhar conhecimento e mostrar conhecimento”; são escravos da ilusão de auto-suficiência e alargadores do preconceito lingüístico que se encarregará de garantir o crescimento do pior de todos os professores: “o pseudo-avaliador”; aquele que estufa o peito com júbilo e regozijo para sustentar bobagens calcadas na mediocridade de sua curta visão periférica incapaz de ler a realidade por além da janela do banheiro. Penso que se tal quadro apocalíptico e caótico não for mudado, estaremos deixando um péssimo legado para a posterioridade, de forma que os nossos fracassos justificarão todas as “maldições” que estão sendo deixadas para as gerações vindouras e, assim sendo, se não mudarmos desde já esse quadro de insalubridade acadêmica, somente a História nos julgará!
Como podemos perceber, vivemos a “apoteose do caos”. Antes fosse um caos construtivo! A realidade, todavia, não é assim! Ao mesmo tempo em que escrevo estas coisas, não posso deixar de ser crítico comigo mesmo, até porque direta ou indiretamente sou mais uma vítima de todo este processo e, por mais contraditório que pareça, acabo sendo conivente com todo esse quadro de insalubridade e inércia crítica, quando penso em desistir de acreditar no poder de um sonho e na força de um ideal. Às vezes, chego a cismar comigo em meu pesar: acaso não me tornei mais um subproduto dessa cultura de desagregação de valores? E a utopia que tanto critiquei no início do presente texto? Não seria ela talvez a saída para a construção de uma nova ordem? Como supracitei, a ignorância é doce. Compactuar com O IDEAL pode ser o caminho mais curto para fugir da dor que provem do conhecimento de efeito e causa acerca DO REAL. Ora, com efeito, a verdade cobra o mais alto de todos os preços: A DOR. A dor embora seja tão evitada por nós, é, por outro lado, a prova de que estamos vivos! Se eu não estivesse vivo, eu não teria descoberto o quadro mais desolador que se pode conceber, quando se descobre a não legitimidade de muitos heróis nacionais que, ao longo de toda a minha história escolar, eram por nós e conosco celebrados. Heróis forjados com o intuito de servirem aos desígnios daquela parcela de homens que vêm se revezando no poder desde a fundação deste país.
Na escola, aprendemos, por exemplo, que os bandeirantes foram os grandes desbravadores desta terra, eram intrépidos homens que enfrentaram todo tipo de perigo, a fim de estenderem os limites da glória ao desbravarem o Brasil! Ah, o que não se ensinou na escola é que esse é mais um dos mitos de nacionalidade. Como muito bem explicitou o nacional e internacionalmente respeitadíssimo Professor José Murilo de Carvalho, em entrevista ao Jornal O DIA (09/11/1999), (...) a versão oficial nem sempre tem a ver com a realidade (...) Os bandeirantes, por exemplo, que são símbolo do orgulho paulista, rachavam crianças em duas partes, abriam-lhes a cabeça e despedaçavam seus membros.
Chocante? Impactante? Ou perturbador? Há tantos outros mitos de nacionalidade... Critica-se o povo brasileiro, dizendo que o nosso patriotismo surge apenas por ocasião da Copa do Mundo. Ora, sejamos realistas! Se analisarmos a nossa formação histórica, entenderemos que não temos a menor razão de sermos patriotas. Do que iremos nos orgulhar? De governos que manipulam a verdade e legitimam uma ordem social injusta? Do que nos orgulharmos? De políticos que usam a própria fé das pessoas, onde A CRUZ DE CRISTO se transforma em um ícone conduzido e transformado em material de campanha política sob o pretexto de uma SOCIAL-DEMOCRACIA-CRISTÃ? Ora, se bem me lembro, há alguns séculos, A IGREJA FOI SEPARADA DO ESTADO. Pode parecer até herético da minha parte, mas às vezes chego até a dizer em meu seio familiar e de amigos: AH, SE CRISTO VOLTASSE NOS DIAS DE HOJE... QUANTAS PESSOAS TERIAM DE LHE RESSARCIR OS DIREITOS DE VEICULAÇÃO DE IMAGEM NOS MAIS DIVERSOS EMPREENDIMENTOS COMERCIAIS!
Do que nos orgulharmos? Das hipocrisias constituídas como verdades que justificaram o genocídio cometido contra os sertanejos do Arraial de Canudos, como Euclides da Cunha registrou em sua obra Os sertões? Acaso podemos nos orgulhar do processo ilegítimo da nossa “proclamação da independência”? Ora, D. Pedro tão somente manipulou as condições necessárias, a fim de que ele passasse de Príncipe Regente à condição de Monarca do Brasil. E a nossa República? Ah, quantos “mamam nas tetas desta sagrada mãe gentil”!
QUE FUTURO DEIXAREMOS À POSTERIDADE, SE NOS LIVROS DE HISTÓRIA ESTIVER ESCRITO TÃO SOMENTE O EPITÁFIO SEPULCRAL, ONDE JAZ A EDUCAÇÃO DOS FILHOS DESTA PÁTRIA?
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SWANDER, Alex. A importância do conhecimento lingüístico para o professor de Língua Portuguesa no processo de avaliação da produção textual de seus alunos. IX Congresso Nacional de Lingüística e Filologia, Cadernos do CNLF, Volume IX, no.03, 2005.
______. Uma anatomia do caráter: em torno da verdade sobre a educação neste país. X Congresso Nacional de Lingüística e Filologia, Cadernos do CNLF, Volume X, no.03, 2006.Comentário / Nota | CompartilharArtigo | Assinar
