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por Nílvia Pantaleoni
Era uma vez, no segundo
semestre de 2001, uma turma de alunos
de Letras da PUC/SP que cursava a disciplina Língua
Portuguesa Intermediário...
Era uma vez, uma exposição sobre
vestuário e moda,
no hall da biblioteca
central da universidade...
Era uma vez, um atentado terrorista
no coração de Nova
Iorque...
Junta-se tudo e o produto é a novela
Reciclagem e outras bobagens.
Poderíamos discorrer a respeito
de polifonia, intertextualidade, micro, macro
e superestrutura. Acreditamos, no entanto, que
a competência textual
dos leitores é o suficiente
para que
recriem todos os episódios
da novela. Afinal
as aulas já
terminaram. O importante é registrar
a participação de todos os alunos.
Eneli, Neusa e Andréa
escreveram o episódio do Vestido amarelo, da época
da Renascença; Vanessa e Patrícia Madeira
contaram a história de Angélica, no Portugal do século XVII; Jamile, Marília e Sandro escreveram
a história da Capa azul, na França revolucionária; Queiroz, Mônica, Fabíola e Francisco nos levam até a Inglaterra do século XIX com
o episódio da Santa; Michelle e Fabiana narram a história de Morgana, especialista em venenos, no século
XX; “Dama da Noite”, um brechó londrino
que vende roupas pra
lá de misteriosas, foi escrito por
Mariana, Marilene e Daniel; Ana Paula, Bruno, Luciana e Rebeca situaram seu episódio nos
dias atuais:
o título de seu
episódio serviu também para
a novela: Reciclagem e Outras Bobagens.
Prontos
os episódios, surge um desafio: “costurar”
a história de todas as roupas que
por sinal,
estiveram expostas no hall da biblioteca.
Um novo
grupo, então,
se forma: Luciana, Rebeca, Mônica, Bruno e Queiroz; Patrícia Hernandez se encarregaria da diagramação
e dos acertos finais
para uma possível
edição do trabalho.
Ainda chegaremos a isso.
Acontece que quando se costura, começa-se a observar as partes
que vão
se unir. Foram necessárias modificações para o estabelecimento da coerência
do todo da novela;
os elos coesivos para a união dos episódios
também tiveram de ser escritos. E o mais importante: a criação
do episódio central
de onde todos
os outros irradiassem. O grupo formado para a montagem da novela
estabelece a macroestrutura do episódio central
e Queiroz se encarrega de escrevê-lo. Fica decidido que
o narrador homodiegético do episódio da Reciclagem é o que tem condições
de assumir toda
a novela. Fica decidido também
que a tragédia
do 11 de setembro em Nova Iorque serviria de inspiração
para o cenário
do episódio central.
Começam, então, trocas
de e-mails, telefonemas,
encontros fora
de aula, o semestre
oficialmente já
estava encerrado, mas era
ponto de honra
terminar a novela.
Todos trabalham, cortam, acrescentam,
remodelam, enquanto o Queiroz cuida do episódio central
que se encaixa perfeitamente no conjunto.
Janeiro
de 2002: ponto final
da novela. Última
reunião do grupo.
Sei que ainda
seriam necessárias modificações no texto, o texto
não acaba nunca. Aliás
uma lição que
permanece é da reescrita; outra é de que é possível produzir
um trabalho
de qualidade em sala de aula, unindo a teoria à prática.
Para isso
é necessário ter
um grupo
de amigos como
encontrei no LPO/Intermediário, no Curso
de Letras da PUC/SP.
Um sincero agradecimento a todos.
Rebeca,
Mônica, Luciana, Bruno, Queiroz, vocês sabem como sou especialmente grata
a vocês.
Nílvia Pantaleoni
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